Archive for 4 de Maio de 2013

Balanço da Oficina: “Algas – do mar ao prato”

 

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A meteorologia ajudou para que a Oficina “Algas: do mar ao prato” que se realizou no domingo, dia 23 de Junho, decorresse da melhor maneira. Programada para dia e hora de maré baixa em tempo de lua cheia (na lua cheia e lua nova as marés têm maior amplitude), um grupo animado de gastrónomos e apaixonados pela natureza puderam observar a rica diversidade de algas da nossa costa na praia de S. Bernardino (Peniche), sob a orientação da professora Teresa Mouga, bióloga e directora da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (Instituto Politécnico de Leiria) e da ajuda de uma ex-bolseira, mestre Inês Rodrigues.

O consumo de algas pela população foi uma realidade até ao período da 2ª guerra mundial, tendo caido no esquecimento, mas pelas excepcionais características nutricionais (completo e elevado teor em aminoácidos, elevado teor em vitaminas e minerais) e excepcionais propriedades antioxidantes deveriam ser reconhecidas na nossa gastronomia. A Professora Teresa Mouga alertou para a recolecção consciente deste recurso através do uso de tesoura ou faca para se cortar apenas as lâminas e talos permitindo assim a regeneração da alga, sendo o ideal o seu cultivo. De facto, pode-se constatar que apesar da diversidade presente a quantidade disponível é inferior à que se registava há algumas décadas atrás, o que revela também o estado do oceano ameaçado pela sobrepesca, em particular a pesca de arrasto, e pela poluição.

Na sede do Rotary Club de Peniche decorreu o restante programa da oficina em que os participantes puderam conhecer alguns “segredos” culinários colaborando na confecção de alguns dos pratos, a que se seguiu o ansiado almoço com uma ementa variada em que as algas foram ingrediente obrigatório.

Concluiu-se a oficina com um momento final para esclarecer algumas dúvidas e partilhar alguns conhecimentos de um indispensável colaborador desta oficina, Luís Fonseca, médico residente em Peniche, e um aficionado pelas algas com uma experiência acumulada na recolecção, seu uso noutras regiões ( como os Açores e países europeus) e no estudo, apresentando uma considerável biblioteca sobre o tema.

Como habitualmente em todas as oficinas organizadas pelo MPI, como a oficina de ervas comestíveis, a refeição é um dos momentos mais marcantes e pela diversidade, originalidade e quantidade dos pratos servidos tem recebido sempre muitos elogios dos participantes.

E desta forma procura-se alertar para os graves problemas associados à produção intensiva dos alimentos, à padronização da dieta na já conhecida por dieta ocidental, onde predominam os alimentos de origem animal, os cereais refinados, alimentos transgénicos e uma panóplia de aditivos, muitos dos quais artificiais, apresentando como alternativa uma dieta que valorize os recursos naturais locais e a produção de alimentos sustentável.

Esta actividade inseriu-se no âmbito do CREIAS Oeste – Centro Regional de Educação e Inovação associada à Sustentabilidade do Oeste, dos quais o MPI e a ESTM/IPL, são parceiros e tece ainda o apoio do Rotary Club de Peniche.

Em anexo umas fotos para ilustrar a actividade

MF2-2009oficina das algas - grupo na cozinhaoficina das algas - procurando algas

Saudações eco-gastronómicas

Alexandra Azevedo
presidente da direcção
membro da Comissão Dinamizadora do CREIAS Oeste

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Apelamos à mobilização contra a Nova Lei das Sementes

Em 2011 estava previsto a votação de uma nova lei das sementes, mas foi sendo adiada e vai agora ser votada no dia 6 de Maio.

Perante a trajectória de sucessiva legislação europeia sobre o assunto e as perspectivas futuras face à pressão permanente das grande multinacionais de sementes, (incluindo transgénicas) e agroquímicos surgiu a Campanha pelas Sementes Livres, da qual o MPI é um dos parceiros.

Em anexo segue:
– Carta aberta assinada por 28 organizações da sociedade civil dirigida ao presidente da CE, Durão Barroso. Outras organizações que queiram subscrever poderão ser ainda adicionadas

– Comunicado de imprensa em nome da Campanha pelas Sementes Livres.

A título individual/colectivo pode fazer:
– Assinar a petição, texto e link abaixo, que pode continuar para além do dia da votação, já que se dirige também ao Parlamento e Conselho.
– Divulgar amplamente

– o email do Barroso e link da carta aberta, para pessoas individuais ou outras organizações aproveitarem/adaptarem a carta e enviarem a sua versão ao Presidente da CE: jose-manuel.barroso@ec.europa.eu
http://gaia.org.pt/node/16485

Mais info sobre a nova lei das sementes aqui.

Saudações semeadasAlexandra Azevedo

Texto de divulgação da petição:
As associações e organizações que por toda a Europa lutam por manter as sementes livres colocaram uma petição online para pressionar a Comissão Europeia, Parlamento e Conselho, a rever drasticamente a proposta para uma Lei das Sementes que promete ilegalizar a simples troca de sementes tradicionais. O regulamento que está na mesa obriga a registar toda e qualquer variedade de semente que possa trocar de mãos, mesmo a título gratuito. O custo e burocracia associados ao registo (anual) vão para todos os efeitos eliminar o que resta da nossa agro-biodiversidade e ameaçar seriamente a nossa segurança alimentar local. A sociedade civil diz NÂO a uma lei que foi feita por e para, e apenas beneficia, a indústria das sementes!Assina aqui e divulga!

ATENÇÃO: O site é alemão. O texto está em português (conforme transcrito abaixo), mas para subscrever as caixas estão identificadas em alemão, por isso aqui ficam as instruções como fazer: 1º campo – escrever primeiro e último nome; 2º campo – código postal e localidade; 3º campo – rua e n.º de porta; 4º campo – email (esse é fácil de perceber:-)); escolher país “Portugal” e por fim clicar em “Unterschreiben” (que significa “Assinar”)

Diversidade das sementes em risco! NÂO a uma lei europeia que beneficie a indústria das sementes.

-Estimados Membros da Comissão,
Estimados Membros do Parlamento,
Estimados Membros do Conselho!

Estão a ser preparados em Bruxelas novos regulamentos sobre as sementes. Se os planos da Direcção-Geral para a Saúde e os Consumidores se tornarem realidade, irão desaparecer do mercado muitas mais variedades raras e antigas de frutas, vegetais e cereais. Esta diversidade de sementes e de variedades adaptadas à agricultura biológica está prestes a ser enfraquecida pela burocracia, enquanto o poder das corporações agrícolas será ainda mais fortalecido.

Dos textos actualmente disponíveis sobre o novo regulamento da União Europeia para as sementes compreende-se que será promovida a concentração do mercado das sementes nas mãos de um pequeno número de corporações industriais produtoras de sementes. Isto é inaceitável. Um novo regulamento da UE deve permitir diversidade de variedades, variedades que possam ser utilizadas em agricultura de pequena escala e na agricultura ecológica, onde são naturalmente adaptadas e reproduzidas por meios naturais. Uma grande diversidade de variedades deve continuar a estar disponível, não apenas em bancos de sementes mas também no mercado livre, sem qualquer tipo de restrições burocráticas.

Pelos motivos enunciados exigimos que não haja obrigação de registo de sementes! Além disto, os actuais critérios de registo de sementes deverão ser simplificados para as variedades adequadas à agricultura biológica em virtude da sua diversidade, para que a nossa agricultura continue a ser adaptável às alterações climáticas, a novas pragas e doenças, bem como a estilos de vida mais amigos do ambiente.

Nem a Lei das Sementes actualmente em vigor na União Europeia, nem as emendas a essa lei informalmente apresentadas até agora, preenchem estes requisitos. Ambas ameaçam a diversidade das sementes e, como tal, o património agrícola comum da Humanidade. Ameaçam também a produção sustentável de alimentos, existindo apenas para servir a indústria agroquímica.

Instamo-vos, Comissão Europeia, Parlamento e Membros do Conselho, a que rejeitem qualquer proposta que não preencha os critérios acima mencionados!
Basta de destruição da diversidade das sementes agrícolas e hortícolas na Europa!

Para mais informações, visitem:
– Campanha Europeia para a Soberania da Semente www.seed-sovereignty.org/PT/index.html
– Campanha portuguesa Sementes Livres www.sosementes.gaia.org.pt
– Contextualização da nova Lei das Sementes em português gaia.org.pt/node/15877
– A plataforma alemã para a diversidade de plantas de cultivo e gado („Dachverband Kulturpflanzen- und Nutztiervielfalt e.V.“) www.kulturpflanzen-nutztiervielfalt.org/node/29
– A associação alemã para a preservação das plantas de cultivo („Verein zur Erhaltung der Nutzpflanzenvielfalt e.V.“) www.nutzpflanzenvielfalt.de
– O blog de Patrick Wiebe www.bifurcatedcarrots.eu/

 

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